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Depois da quebra do maior banco do Second Life, chamado Ginko Financial – e da descoberta que seu dono era nada mais nada menos que um brasileiro, Nicholas Portocarrero, de São Paulo – é a vez de outro grande banco decretar moratória em seus ativos.

Enquanto o Ginko deixou quase L$ 150.000.000 em ativos podres (já descontadas as vendas de ilhas, terrenos e outras coisas de valor), é a vez do Midas Bank decretar moratória sobre os ativos, estimados em L$ 8.000.000, mas cujo valor pode chegar a L$ 10.000.000.

As relações dentro do mercado financeiro do Second Life são incrivelmente complexas. Trata-se de uma teia de investimentos mútuos, “regulados” basicamente por três órgãos: a SLEC, SLCC e o conselho da WSE. SLEC: Second Life Exchange Comission. SLCC: Second Life Chamber of Commerce. WSE: World Stock Exchange, a grande bolsa de valores. Vou falar sobre cada um desses players em posts específicos

Para dar um histórico, quando eu comecei no Second Life, só existia uma bolsa, e ainda sim que não negociava nada, apenas ações dela mesma. Algo inútil. Quando abri o meu banco – hoje extinto – não havia muito mistério: o Ginko já era a potência virtual, junto com outros poucos grandes, como o MetaBank e o próprio Midas. Se eu pagasse um juro de 0,15% poderia utilizar o rendimento do outro banco para dar parte desse valor e investir o resto. Todos investiam em todos, basicamente, menos o Ginko, que ninguém sabia ao certo o que fazia.

A World Stock Exchange abriu de maneira triunfal em 2007, congregando várias companhias virtuais que realizaram seus IPOs. Como banqueiro, estive lá no primeiro dia e comprei uma quantidade razoável de ações do Hope Capital, empresa dona da bolsa, de propriedade do empreendedor australiano Luke Connell. Dos L$ 270.000 que investi, saí com uns L$ 500.000 no total. Foi extremamente lucrativo negociar naqueles primeiros dias.

Contudo, tudo ia bem até que o Linden Labs resolveu proibir o jogo, atividade que bancava uma fatia considerável dos juros pagos pelos bancos. Tal proibição foi em decorrência, provavelmente, da pressão do governo americano e de ameaças de diversas ações judiciais.

A fonte secando, os bancos começaram a não ter muito mais como ganhar dinheiro, exceto na WSE, com o crescimento da utilização da bolsa por investidores não-institucionais.

A WSE ganhou uma concorrente, a AVIX, e durante um tempo funcionaram razoavelmente bem. Contudo, desde a quebra do Ginko, as coisas vêm piorando.

Existem várias denúncias sobre a realidade do capital gerado pela WSE e sobre a probidade dos mecanismos de controle da WSE.

Atualmente, a WSE se afirma como a bolsa de valores do Second life, mas ainda sob muitas nuvens de suspeita e de desconfiança.

Continuarei no próximo post falando sobre a Second Life Exchange Comission (SLEC). Abraços.

Karl Octagon